Gerar leads é uma das responsabilidades mais cobradas das equipes de marketing B2B. A empresa investe em mídia, publica conteúdos, cria landing pages e acompanha o custo por lead esperando que esse esforço se transforme rapidamente em oportunidades comerciais.
Essa lógica funciona até determinado ponto.
Quando praticamente toda a estratégia está concentrada em pessoas que já demonstram intenção de compra, a empresa passa a disputar uma parcela limitada do mercado com todos os seus concorrentes. O resultado costuma aparecer no aumento do custo de aquisição, na pressão sobre as campanhas e na dificuldade de manter o crescimento.
A Regra 95-5 ajuda a entender por que isso acontece.
O conceito parte de uma constatação simples: em determinado momento, apenas uma pequena parcela dos potenciais compradores está efetivamente procurando uma solução. A maior parte do mercado pode contratar a empresa no futuro, mas ainda não iniciou um processo de compra.
A questão estratégica deixa de ser apenas como gerar mais leads agora.
A empresa também precisa decidir como será reconhecida, lembrada e considerada quando os compradores que estão fora do mercado finalmente estiverem prontos para avançar.
A Regra 95-5 foi difundida pelo LinkedIn B2B Institute a partir de pesquisas realizadas com o Ehrenberg-Bass Institute.
Segundo o princípio, aproximadamente 5% dos potenciais compradores de uma categoria estariam in-market, ou seja, ativos no mercado e avaliando uma contratação. Os outros 95% estariam out-market, sem intenção imediata de compra.
Isso não significa que 95% do público nunca comprará.
Essas empresas apenas não possuem uma demanda ativa naquele momento. Algumas acabaram de contratar um fornecedor, outras estão presas a contratos, ainda não identificaram um problema prioritário ou não possuem orçamento aprovado.
Com o tempo, uma parcela desse público entrará no mercado. Quando isso acontecer, as marcas conhecidas e associadas à necessidade terão uma vantagem sobre aquelas que aparecem pela primeira vez durante a pesquisa.
O número não deve ser interpretado como uma divisão exata aplicável a qualquer empresa, segmento ou período.
A proporção entre compradores ativos e inativos depende de fatores como:
O LinkedIn B2B Institute apresenta exemplos que ajudam a visualizar essa dinâmica. Segundo a instituição, 75% das empresas compram computadores uma vez a cada quatro anos, enquanto 80% mudam seus serviços bancários uma vez a cada cinco anos. Na maior parte do tempo, portanto, essas organizações não estão procurando um novo fornecedor para essas categorias.
Em uma categoria com contratos anuais, a parcela in-market pode ser maior. Em mercados com contratos de cinco ou dez anos, pode ser ainda menor.
O valor da Regra 95-5 está no princípio estratégico: a maioria dos clientes potenciais não está pronta para comprar agora.
Ignorar essa realidade produz metas irreais e uma dependência excessiva de ações de fundo de funil.
Campanhas de pesquisa, remarketing, landing pages comerciais, demonstrações e formulários de contato são importantes. Elas ajudam a capturar pessoas que já reconheceram um problema e começaram a procurar alternativas.
O problema surge quando praticamente toda a operação de marketing se limita a essas iniciativas.
Nesse cenário, a empresa passa a repetir chamadas como:
Essas mensagens pressupõem que o comprador já compreendeu o problema, definiu prioridades, reservou orçamento e decidiu buscar um fornecedor.
Para a maior parte do mercado, essa condição ainda não existe.
Uma empresa que acabou de renovar um contrato dificilmente solicitará uma demonstração. Um gestor sem orçamento aprovado não pedirá uma proposta. Um decisor que ainda não percebeu a dimensão do problema não preencherá um formulário comercial.
A ausência de conversão imediata não significa necessariamente falta de potencial. Pode significar apenas que a abordagem está sendo feita antes do momento de compra.
A captura de demanda atua sobre uma intenção já existente.
O comprador percebeu uma necessidade, começou a pesquisar e está avaliando possíveis soluções. O papel do marketing é facilitar a descoberta da empresa, demonstrar relevância e conduzir essa pessoa até uma interação comercial.
Alguns exemplos de captura de demanda são:
A geração de demanda trabalha em um estágio anterior.
Seu objetivo é construir reconhecimento, conhecimento e associações relevantes entre a marca, os problemas enfrentados pelo público e as situações que podem iniciar uma compra.
Isso pode envolver:
Gerar demanda não significa convencer uma empresa a romper um contrato válido ou comprar algo de que não precisa. O trabalho consiste em construir presença e memória antes que o processo de compra seja iniciado.
Quando a demanda surgir, a marca não começará a disputa do zero.
Operações excessivamente orientadas ao curto prazo costumam avaliar todo investimento com a mesma régua.
Uma campanha de pesquisa é medida por leads e vendas. Um conteúdo educativo também. Um vídeo institucional também. Uma campanha de alcance também.
Essa equivalência cria um problema de gestão.
Ações diferentes possuem funções, públicos e horizontes de retorno distintos. Exigir conversão imediata de uma campanha direcionada a compradores out-market é ignorar o estágio em que essas pessoas se encontram.
Entre os principais efeitos desse imediatismo estão:
A empresa concentra orçamento nas mesmas palavras-chave, públicos de remarketing e segmentações comerciais utilizadas pelos concorrentes.
Quanto maior a disputa pela demanda existente, maior tende a ser a pressão sobre CPC, CPL e custo de aquisição.
Quando o comprador conhece várias empresas apenas durante a fase de cotação, as propostas podem parecer semelhantes.
Sem uma percepção de valor construída anteriormente, preço, prazo e condições comerciais ganham mais peso na decisão.
A empresa consegue converter uma parte dos compradores ativos, mas encontra dificuldade para crescer porque a quantidade de pessoas no mercado permanece limitada.
Aumentar o orçamento não garante aumento proporcional de oportunidades.
Sem investimento contínuo na parcela out-market, a empresa deixa de construir familiaridade entre os clientes que entrarão no mercado nos próximos meses ou anos.
O marketing atende à meta atual enquanto compromete a próxima.
Alcançar compradores futuros exige mais do que publicar conteúdos genéricos ou aumentar o número de seguidores.
A estratégia precisa conectar público, problema, posicionamento, distribuição e mensuração.
A construção de demanda deve começar pela definição do mercado endereçável e do perfil de cliente ideal.
A empresa precisa identificar:
Sem essa base, o marketing pode gerar alcance sem relevância.
Compradores raramente entram no mercado por causa de um anúncio isolado.
Normalmente, a procura começa após uma situação específica, como crescimento da operação, troca de liderança, encerramento de contrato, mudança regulatória, perda de eficiência, pressão sobre custos ou implantação de uma nova estratégia.
Esses contextos são relacionados aos chamados Category Entry Points, situações que levam uma pessoa a pensar em determinada categoria de produto ou serviço.
O trabalho da marca é criar associações entre sua proposta e esses momentos. Quando a situação ocorrer, a empresa terá mais chances de ser lembrada. O LinkedIn B2B Institute destaca os Category Entry Points como parte da construção de disponibilidade mental e da preparação para a demanda futura.
Conteúdo para compradores out-market não deve ser uma sequência disfarçada de ofertas.
Ele precisa ajudar o decisor a compreender o contexto, reconhecer riscos, avaliar oportunidades e melhorar a qualidade das próprias decisões.
Algumas possibilidades incluem:
Conteúdos de diagnóstico
Mostram sintomas, gargalos e custos que o público ainda pode não ter identificado.
Conteúdos de perspectiva
Apresentam uma leitura própria sobre tendências, transformações e desafios do mercado.
Conteúdos de orientação
Explicam critérios, processos e perguntas que devem ser considerados antes de uma decisão.
Conteúdos de comprovação
Demonstram capacidade por meio de cases, metodologias, resultados, depoimentos e bastidores da operação.
Conteúdos de diferenciação
Tornam claro como a empresa pensa, trabalha e entrega valor de maneira distinta.
O conteúdo precisa ser útil agora, mesmo quando a contratação ainda estiver distante.
Publicar um artigo no blog não garante que ele será encontrado pelas pessoas certas.
A empresa precisa desenvolver uma estratégia de distribuição que combine canais próprios, mídia paga, busca orgânica, redes sociais, e-mail, remarketing, eventos e atuação comercial.
Um mesmo conceito pode ser transformado em:
A recorrência é indispensável. Memória de marca não é construída com uma publicação isolada.
A geração de demanda perde força quando funciona separada do restante da operação.
Conteúdo, mídia, automação, CRM e vendas precisam compartilhar critérios e informações.
O CRM pode mostrar quais temas aparecem nas oportunidades. O comercial pode indicar as objeções mais recorrentes. As campanhas podem ampliar a distribuição dos conteúdos mais relevantes. A automação pode manter relacionamento sem forçar uma abordagem comercial precoce.
Essa integração permite acompanhar o público desde o primeiro contato até a oportunidade, mesmo que o percurso dure meses.
A Regra 95-5 não determina que a empresa abandone campanhas de conversão.
O LinkedIn B2B Institute recomenda manter esforços de geração de leads para compradores in-market e, simultaneamente, investir na construção de marca entre os compradores futuros.
As duas frentes possuem funções complementares:

Não existe uma divisão orçamentária universal.
A distribuição deve considerar maturidade da marca, tamanho do mercado, ciclo de venda, frequência de compra, pressão por receita e capacidade de mensuração.
Uma empresa pouco conhecida pode precisar aumentar a cobertura e a frequência entre o público potencial. Uma marca consolidada pode encontrar oportunidades de ganho na eficiência de conversão. Uma operação com ciclo comercial longo precisará avaliar resultados em horizontes diferentes daqueles utilizados por negócios transacionais.
A decisão correta depende de dados, estratégia e contexto.
A mensuração precisa acompanhar a função de cada iniciativa.
Campanhas de captura podem ser avaliadas por indicadores como:
Na geração de demanda, também devem ser observados:
Esses indicadores não eliminam a necessidade de demonstrar impacto financeiro. Eles ajudam a acompanhar os efeitos intermediários que antecedem uma venda.
Também é importante combinar dados de mídia, site, automação, CRM e pipeline. Analisar cada plataforma isoladamente cria uma visão fragmentada da jornada.
Uma operação pode estar excessivamente concentrada na captura de demanda quando:
Esses sinais indicam que a empresa está tentando acelerar a conversão sem ampliar a base de pessoas que poderão considerar sua solução no futuro.
O lead representa apenas uma parte visível de um processo mais amplo.
Antes de preencher um formulário, o comprador pode ter consumido conteúdos, visto anúncios, acompanhado especialistas, participado de eventos, recebido recomendações e formado uma percepção sobre a empresa.
Quando a marca participa dessas etapas, a captura de demanda tende a encontrar um público mais familiarizado e preparado para avançar.
Quando não participa, entra na disputa apenas no momento da cotação.
Uma estratégia de marketing B2B capaz de sustentar crescimento precisa operar em dois horizontes. Deve capturar as oportunidades disponíveis agora e construir preferência entre as empresas que comprarão depois.
A Regra 95-5 não reduz a importância dos leads. Ela mostra por que uma empresa que pensa apenas nos leads atuais pode limitar o próprio faturamento futuro.
A Atratis desenvolve operações integradas de marketing e vendas, conectando estratégia, conteúdo, mídia, automação, CRM, dados e performance.
Essa integração permite identificar onde a empresa está perdendo oportunidades, equilibrar geração e captura de demanda e construir uma operação mais previsível ao longo de toda a jornada de compra.
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