A chamada “Lei dos Influenciadores” já está em vigor, e ela muda o jogo para marcas, criadores e agências.
Desde janeiro de 2026, a Lei nº 15.325/26 passou a regulamentar, na prática, a profissão de multimídia no Brasil. Apesar do apelido popular, o alcance da norma é muito mais amplo do que apenas influenciadores digitais.
Se sua empresa trabalha com creators, produz conteúdo para redes sociais ou mantém uma estratégia ativa de marketing digital, este assunto deve ser tratado como estratégico, e não apenas jurídico.
Neste artigo, você vai entender:
A Lei nº 15.325, de 6 de janeiro de 2026, dispõe sobre o exercício da profissão de multimídia.
Ela reconhece juridicamente atividades já exercidas de forma ampla no ambiente digital, como:
O artigo 2º define o profissional multimídia como aquele apto a atuar em atividades relacionadas à criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão e distribuição de conteúdos digitais em diferentes mídias eletrônicas.
Os números ajudam a explicar.
Segundo o IBGE, o Brasil possuía 213,4 milhões de habitantes em 2025. No mesmo período, a GSMA Intelligence apontava 217 milhões de conexões móveis no país, ou seja, mais dispositivos conectados do que pessoas.
Além disso, dados da DataReportal indicam que o Brasil contava com 150 milhões de usuários ativos em redes sociais, representando 70,4% da população.
Entre as plataformas:
E mais: 40,4% dos usuários acompanham influenciadores e criadores de conteúdo, ficando atrás apenas de amigos e familiares.
Esse cenário consolidou a chamada Creator Economy, um mercado bilionário baseado em influência, autoridade e monetização digital. Era questão de tempo até o legislador criar um marco regulatório para essas atividades.
A resposta curta é: praticamente todos que atuam com marketing digital.
A lei alcança:
É importante destacar que a lei não exige formação específica obrigatória para exercer a atividade. Durante sua tramitação, dispositivos que impunham requisitos formais foram retirados para evitar restrições desproporcionais.
O foco está no reconhecimento jurídico das funções desempenhadas, não na limitação da atuação profissional.
A lei não cria novas obrigações diretas nem altera drasticamente a rotina dos criadores. O principal impacto está no enquadramento jurídico e contratual das atividades.
Agora há respaldo legal para definir:
A informalidade, comum em acordos via WhatsApp, por exemplo, deixa de ser segura.
Em campanhas publicitárias, pode haver responsabilidade compartilhada entre marca, agência e criador em casos como:
Ou seja: não é só o influenciador que pode responder.
As exigências de transparência (já previstas por órgãos como CONAR e Senacon) ganham ainda mais relevância.
Postagens patrocinadas precisam estar claramente identificadas. A ausência de sinalização pode gerar multas e desgaste de imagem.
Para gestores de marketing, o cenário muda em três pontos essenciais:
Como toda regulamentação, a lei gerou debates.
No fim, o impacto real dependerá de como empresas e agências vão aplicar a lei na prática.
Ignorar o novo cenário pode gerar:
Em um mercado com milhões de usuários e altíssima exposição pública, o risco reputacional é tão relevante quanto o jurídico.
Com a Lei 15.325/26, a agência deixa de ser apenas executora de campanhas e passa a atuar como garantidora de segurança e profissionalismo.
Uma agência preparada atua em quatro pilares fundamentais:
O mercado digital não é mais território informal.
Com mais de 150 milhões de usuários ativos nas redes sociais brasileiras, a influência deixou de ser tendência e virou infraestrutura econômica.
E infraestrutura exige governança.
Para marcas, isso significa:
Não se trata apenas de “fazer publis”. Trata-se de construir crescimento sustentável e seguro.
A Lei 15.325/26 não cria uma nova profissão do zero, mas reconhece formalmente atividades digitais já consolidadas.
O impacto principal é contratual e interpretativo, mas suas consequências estratégicas são profundas.
Empresas que atuam com criadores precisam revisar processos, contratos e governança de campanhas. Criadores precisam estruturar sua atuação de forma mais profissional. Agências precisam integrar marketing e conformidade.
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