A comunicação digital passa por mudanças constantes, e não apenas por novas plataformas ou tecnologias. Com a entrada em vigor da chamada “Lei Felca”, empresas, influenciadores, agências e criadores passam a operar em um cenário mais rigoroso de responsabilidade sobre conteúdo, publicidade e uso de dados envolvendo menores de idade.
Mais do que uma atualização legal, a nova legislação exige mudanças práticas na forma como as marcas planejam campanhas, estruturam sites, utilizam influenciadores e coletam dados.
Ou seja: compliance deixou de ser um detalhe jurídico e passou a ser parte da estratégia de marketing.
Neste artigo, você entende o que é a Lei Felca, o que muda na prática e como adequar sua comunicação digital para evitar riscos legais e reputacionais.
A chamada Lei Felca é o nome popular da Lei nº 15.211/2025, também conhecida como ECA Digital, que entrou em vigor em 17 de março de 2026.
O objetivo é atualizar as garantias do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para o ambiente digital, criando regras mais rígidas sobre exposição, publicidade e coleta de dados envolvendo menores de idade.
O apelido da lei surgiu após a repercussão de um vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca, publicado em 2025, denunciando a exposição e “adultização” de crianças nas redes sociais em busca de engajamento. A grande repercussão do tema acelerou a discussão e aprovação do projeto.
Na prática, a legislação estabelece novas obrigações para plataformas, marcas e criadores, exigindo maior controle sobre conteúdo direcionado a menores, publicidade digital e uso de dados.
A Lei Felca impacta diretamente todo o ecossistema digital. Isso inclui empresas, influenciadores, agências e criadores de conteúdo.
Empresas:
Marcas passam a ser corresponsáveis pelas campanhas em que participam. Se uma empresa anuncia em conteúdos que violam a legislação, ela também pode sofrer sanções legais e danos reputacionais.
Influenciadores:
Passam a operar sob regras mais rígidas, especialmente quando há participação de menores. Conteúdos com crianças exigem maior transparência, autorização adequada e cuidados com exposição e monetização.
Agências de marketing:
Assumem um papel ainda mais estratégico, atuando como consultoras de compliance digital. A curadoria de influenciadores, o planejamento de mídia e a criação de campanhas precisam considerar as exigências legais desde o início.
Criadores de conteúdo:
Precisam sinalizar publicidade com clareza, evitar exposição inadequada de menores e garantir que seus conteúdos não infrinjam as novas regras.
A Lei altera pontos importantes da comunicação digital, especialmente no uso de dados, segmentação e estrutura técnica de campanhas.
Uma das principais mudanças é o fim da autodeclaração de idade. Plataformas, sites e aplicativos que oferecem conteúdos sensíveis não podem mais utilizar apenas botões como “tenho mais de 18 anos”.
Agora, será necessário adotar mecanismos confiáveis de verificação etária, como validação de CPF ou biometria.
Outra mudança relevante é a proibição do perfilamento comportamental de menores. Isso significa que campanhas não podem utilizar dados de crianças e adolescentes para segmentação publicitária ou retargeting.
Estratégias baseadas em comportamento passam a ser substituídas por segmentação contextual.
A lei também impacta a criação de sites e landing pages. Formulários de captura de leads que envolvem públicos jovens devem implementar validação real de idade.
Além disso, práticas de UX que induzam comportamento compulsivo ou enganoso passam a ser proibidas.
A nova legislação também estabelece regras mais claras para publicidade digital envolvendo menores.
A identificação de conteúdo patrocinado passa a exigir maior transparência. Avisos como “Publicidade” ou “Parceria paga” devem ser explícitos, visíveis e compreensíveis, inclusive para públicos mais jovens.
Campanhas também não podem utilizar crianças em contextos que remetam à adultização, como linguagem inadequada, figurinos sensuais ou abordagens incompatíveis com a idade.
Outro ponto importante é a responsabilidade solidária. Caso uma campanha viole a legislação, todos os envolvidos podem ser responsabilizados: marca, agência e criador. Isso aumenta a necessidade de governança e validação jurídica antes da veiculação.
A Lei Felca traz mudanças significativas para campanhas com influenciadores, principalmente quando envolvem menores.
A curadoria passa a ser mais rigorosa. Marcas e agências precisam avaliar o histórico dos criadores para evitar associações com conteúdos que violem a legislação.
Contratos também devem incluir cláusulas específicas de proteção ao menor, como regras de participação, limites de exposição e destinação de valores financeiros quando houver remuneração.
Outra mudança importante é o fim do envio informal de produtos para influenciadores mirins sem autorização formal. A prática passa a ser considerada irregular quando há objetivo comercial.
O descumprimento da Lei Felca pode gerar sanções severas. As penalidades incluem advertências, multas e até suspensão de atividades em casos mais graves.
As multas podem chegar a 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Em situações de reincidência, há possibilidade de suspensão temporária ou proibição de operação no país.
Além do risco jurídico, há também o impacto reputacional. Marcas associadas a práticas consideradas inadequadas podem sofrer perda de credibilidade, boicotes e crises de imagem.
Com a Lei Felca, compliance deixa de ser uma etapa final e passa a fazer parte do planejamento estratégico das campanhas.
Isso significa estruturar processos de validação, revisar segmentações, adequar contratos com influenciadores e garantir transparência na comunicação. Também envolve revisar formulários, fluxos de dados e mecanismos de coleta de informações.
Empresas que se anteciparem a essas mudanças tendem a operar com mais segurança e confiança, além de fortalecer sua reputação no mercado.
Adequar sua estratégia à Lei Felca envolve alguns pontos essenciais:
O cenário digital está mais complexo e regulado. Campanhas improvisadas ou sem governança aumentam riscos legais e prejudicam a reputação da marca.
Por outro lado, empresas que estruturam sua comunicação com estratégia, compliance e planejamento constroem autoridade e confiança de longo prazo.
A Lei Felca não limita o marketing digital. Ela exige que ele seja mais responsável, transparente e estratégico.
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