A criação de conteúdo com participação de crianças e adolescentes acaba de entrar em uma nova fase no Brasil. A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, começou a notificar criadores de conteúdo sobre a obrigatoriedade de apresentar autorização judicial para conteúdos monetizados que envolvam menores de 18 anos.
A medida está diretamente relacionada à chamada Lei Felca, nome popular da Lei nº 15.211/2025, também conhecida como ECA Digital, que entrou em vigor em março de 2026.
Mais do que uma atualização jurídica, essa mudança impacta diretamente influenciadores, marcas, agências e empresas que utilizam menores de idade em campanhas publicitárias, conteúdos patrocinados e ações de marketing digital.
Neste artigo, você entenderá o que mudou, quem é impactado e como adequar sua estratégia para evitar riscos legais e prejuízos à reputação da sua marca.
A chamada Lei Felca é o nome popular dado à Lei nº 15.211/2025, criada para atualizar as proteções do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para o ambiente digital.
O apelido surgiu após a repercussão de denúncias feitas pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que chamou atenção para casos de exposição excessiva e adultização de crianças nas redes sociais.
A partir desse debate, o tema ganhou força no Congresso Nacional e resultou em uma legislação que estabelece regras mais rígidas sobre:
Na prática, a lei busca garantir que o ambiente digital ofereça as mesmas proteções já previstas para o trabalho artístico infantil em meios tradicionais.
Segundo a empresa, sempre que um menor de 18 anos aparecer em conteúdos monetizados ou vinculados a marcas, será necessário possuir um alvará judicial válido, emitido antes da publicação do conteúdo.
A exigência vale para:
A regra se aplica independentemente de quem seja o menor envolvido:
A Lei Felca afeta praticamente todo o ecossistema de marketing digital.
Muitas empresas acreditam que a responsabilidade recai apenas sobre o influenciador ou criador de conteúdo. Isso não é verdade.
A nova legislação estabelece uma lógica de corresponsabilidade.
Isso significa que marcas que patrocinam campanhas com menores de idade sem a documentação adequada também podem enfrentar:
Por isso, a validação da documentação passa a fazer parte do processo de contratação de influenciadores.
Criadores que produzem conteúdo com crianças ou adolescentes precisarão revisar seus processos.
Além do alvará judicial, será necessário garantir que o conteúdo não apresente elementos que possam prejudicar o desenvolvimento dos menores, como:
As agências passam a exercer um papel ainda mais estratégico.
Além da criação e gestão de campanhas, será necessário atuar também na validação de compliance digital, verificando:
A própria Meta deixou claro que o descumprimento das exigências pode gerar consequências severas. Entre elas:
Perfis podem sofrer:
Isso inclui:
Além das penalidades da plataforma, criadores e empresas podem responder perante autoridades brasileiras. Dependendo da situação, o caso pode envolver:
O alvará judicial é uma autorização emitida pela Justiça que permite a participação de menores em atividades consideradas trabalho artístico ou comercial.
Tradicionalmente, esse documento já era exigido para:
Com a Lei Felca, essa exigência passa a ser aplicada de forma mais rigorosa também ao ambiente digital.
Ou seja, conteúdos monetizados em redes sociais passam a ser tratados com o mesmo nível de responsabilidade exigido em outras mídias.
Para saber mais sobre a medida, leia aqui.
A melhor forma de lidar com essa mudança é incorporar processos de compliance desde o planejamento das campanhas. Algumas boas práticas incluem:
Antes de contratar criadores que utilizam menores de idade em seus conteúdos, solicite documentação comprobatória.
Inclua cláusulas específicas relacionadas à conformidade com a Lei Felca e à responsabilidade sobre autorizações legais.
Campanhas que envolvam menores devem passar por uma etapa adicional de aprovação jurídica e documental.
A responsabilidade não termina na contratação. É importante acompanhar a execução das campanhas para garantir que tudo esteja em conformidade.
Campanhas com influenciadores, conteúdos patrocinados e ações digitais precisam cada vez mais considerar aspectos legais, reputacionais e estratégicos.
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